quinta-feira, 10 de novembro de 2016

Protestos e ocupações contra a municipalização da saúde indígena

Na frente do Ministério da Saúde, aguardando resultado de Brasília   Foto: Shirley Penaforte
Desde a semana passada, um grupo de indígenas formados por Tembé-Tenetehara, Asuriní do Xingu e Kaapó estão ocupando a SESAI e um andar do Ministério da Saúde em Belém. Eles afiram que não retornam às suas aldeias antes que seja revogada portaria do Ministério da Saúde que municipaliza a saúde indígena. Para Raimundo Asuriní:
                “O governo federal quer ajudar a matar os povos indígenas no Brasil. Se a saúde indígena for municipalizada, nós não vamos ter atendimento de qualidade. Quando isso aconteceu no passado, o repasse das verbas para os municípios, nada chegou até nós. Nós precisamos de uma atenção especial, de profissionais de saúde preparados para lidas com nossas culturas também!”

                O movimento indígena está articulado em todas as regiões. Entre suas ações, além da ocupação de prédios públicos relacionados à saúde, também vão promover ações de obstruções de rodovias. Há um grupo de lideranças negociando em Brasília, mas se a portaria não for revogada, eles prometem intensificar as ações de protesto.
                “Eles estão acabando com a saúde pública no Brasil. Nós sabemos bem o que vai acontecer, se precisarmos de atendimento nas unidades municipais de saúde. Vamos sofrer preconceito!”, afirma Raimundo Asuriní.
           “Nós estamos aqui lutando por nossos direitos! Não vamos aceitar voltar ao que não funcionou. Tenho dois filhos pequenos que estão na aldeia. É difícil fazer ocupação nas cidades! Mas é justamente pelo futuro dos meus filhos e das outras crianças indígenas que estou aqui lutando! Agora, a gente vai no médico e ele nos dá receita. Do que adianta?”, explicou Kuzã’í Tembé.
Kuzã'í Tembé  Foto: Shirley Penaforte
                A portaria 1.907 do Ministério da Saúde retira a competência da Sesai na gestão da saúde indígena e revogava outra portaria, publicada em 2011.  No dia 20 de outubro, o titular da Sesai, Rodrigo Rodrigues, divulgou um memorando acabando com a competência dos coordenadores do Dseis na gestão orçamentária e financeira na politica de saúde indígena. Neste mesmo ato, ele determina que os distritos suspendam os pregões em andamento para  compra de medicamentos e suspende o envio de profissionais às aldeias. 

Foto: Shirley Penaforte
       Em muitos momentos, durante a ocupação, homens e mulheres indígenas, de diferentes sociedades, unem-se em rituais de canto e dança.

Por Ivânia Neves

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