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| Na frente do Ministério da Saúde, aguardando resultado de Brasília Foto: Shirley Penaforte |
Desde a semana passada, um grupo
de indígenas formados por Tembé-Tenetehara, Asuriní do Xingu e Kaapó estão
ocupando a SESAI e um andar do Ministério da Saúde em Belém. Eles afiram que
não retornam às suas aldeias antes que seja revogada portaria do Ministério da
Saúde que municipaliza a saúde indígena. Para Raimundo Asuriní:
“O
governo federal quer ajudar a matar os povos indígenas no Brasil. Se a saúde
indígena for municipalizada, nós não vamos ter atendimento de qualidade. Quando
isso aconteceu no passado, o repasse das verbas para os municípios, nada chegou
até nós. Nós precisamos de uma atenção especial, de profissionais de saúde
preparados para lidas com nossas culturas também!”
O
movimento indígena está articulado em todas as regiões. Entre suas ações, além
da ocupação de prédios públicos relacionados à saúde, também vão promover ações
de obstruções de rodovias. Há um grupo de lideranças negociando em Brasília,
mas se a portaria não for revogada, eles prometem intensificar as ações de
protesto.
“Eles
estão acabando com a saúde pública no Brasil. Nós sabemos bem o que vai
acontecer, se precisarmos de atendimento nas unidades municipais de saúde.
Vamos sofrer preconceito!”, afirma Raimundo Asuriní.
“Nós
estamos aqui lutando por nossos direitos! Não vamos aceitar voltar ao que não funcionou.
Tenho dois filhos pequenos que estão na aldeia. É difícil fazer ocupação nas
cidades! Mas é justamente pelo futuro dos meus filhos e das outras crianças
indígenas que estou aqui lutando! Agora, a gente vai no médico e ele nos dá
receita. Do que adianta?”, explicou Kuzã’í Tembé.
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| Kuzã'í Tembé Foto: Shirley Penaforte |
A
portaria 1.907 do Ministério da Saúde retira a competência da Sesai na gestão
da saúde indígena e revogava outra portaria, publicada em 2011. No dia 20
de outubro, o titular da Sesai, Rodrigo Rodrigues, divulgou um memorando
acabando com a competência dos coordenadores do Dseis na gestão orçamentária e
financeira na politica de saúde indígena. Neste mesmo ato, ele determina que os
distritos suspendam os pregões em andamento para compra de medicamentos e suspende o envio de
profissionais às aldeias.
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| Foto: Shirley Penaforte |
Em muitos momentos, durante a ocupação, homens e mulheres indígenas, de diferentes sociedades, unem-se em rituais de canto e dança.
Por Ivânia Neves




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