domingo, 12 de abril de 2015

O céu dos índios Tembé-Tenetehara

A forma particular como denominam os astros e as constelações fazem parte do saber tradicional deste povo, que mostra à ciência ocidental uma forma diferente de compreender o universo.  Este saber, hoje, convive com as produções midiáticas, tecnologias, com os conteúdos curriculares das escolas, com o discurso de diferentes religiões. Apenas alguns mais velhos conseguem identificar a cosmologia tradicional, que envolve a denominação das estrelas, dos planetas, da lua, mas também está relacionada aos ciclos da vida.
No plano cosmológico, segundo os saberes tradicionais, como nos explicou Lourival Tembé, a criação e estruturação do universo está relacionada a Maíra, seus filhos e outros heróis civilizadores que ajudaram a construir o universo Tenetehara. Podemos conhecer algumas destas histórias no terceiro capítulo. Kwarahy, o céu se organiza a partir do Tapirapé, o Caminho da Anta.
Para os mais velhos, vários aspectos da vida cotidiana revelam a importância da cosmologia tradicional. Os diferentes momentos do ritual de vida obedecem às dietas alimentares e estão associados à organização dos astros no céu. Segundo os ensinamentos de Verônica Tembé, o céu precisa estar claro, aberto, para que a vida das crianças e dos jovens seja iluminada pelas estrelas.
 Esta cosmovisão também está presente em suas histórias, sobretudo naquelas que se constituem com a temporalidade Tenetehara, o “Zekwehe Zekweh”, como vimos no segundo capítulo.
Desde os primeiros contatos com os não índios, um dos aspectos da cosmologia Tenetehara que mais chamaram a atenção são as suas constelações. As denominações e as regiões do céu que compreendem são bem diferentes das constelações ocidentais.
Wiranu / Ema, uma das maiores constelações Tembé, é formada por várias constelações “oficiais”, dentre elas Escorpião, que forma uma das pernas da Ema e o Cruzeiro do Sul, o bico do animal. Wiranu pode ser tomada como referência do Sul celestial do ponto de vista dos Tembé.
            Como nos explica Germano Bruno (2007, p. 03):
As observações do céu que realizamos com os indígenas permitiram localizar a maioria das constelações tupinambá e de diversas outras etnias da família tupi-guarani. Verificamos que etnias diferentes - distintas culturalmente, como seria de se esperar - possuem um conjunto muito semelhante de conhecimentos astronômicos, utilizados para materializar tanto o calendário como os sistemas de orientação. Esse conjunto comum se refere, principalmente, ao Sol, Lua, Vênus, Via Láctea, e às constelações do Cruzeiro do Sul, Plêiades e das regiões do céu onde se situam Órion e Escorpião, constelações ocidentais que surgem, respectivamente no verão e no inverno, no hemisfério sul.




Nenhum comentário:

Postar um comentário